Curiosidades


TRADUZIR NÃO É SIMPLESMENTE TRANSPOR UM TEXTO DE UM IDIOMA A OUTRO.

É interpretar, após mergulhar na ideia do autor, o que aquela ideia significa em nossas palavras. O nosso próprio idioma traz exemplos ricos disso e podemos com facilidade entender, a partir desses exemplos, o quanto devemos atentar para uma boa tradução, para um bom tradutor, que pesquise para ter certeza de estar usando os termos como são usados no idioma de origem. Leia o rico texto intitulado “Quem disse que Português é osso duro de roer?” por Graciana Oliveira, e entenderá a importância da cultura, da pesquisa, no ato tradutório!

“No frigir dos ovos”

“Quem disse que Português é osso duro de roer? Este texto de autor desconhecido, que circula pela net, é um prato cheio para os olhos.

A alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão:

“NO FRIGIR DOS OVOS”?

“E não adianta ‘chorar as pitangas’ ou, simplesmente, ‘mandar tudo às favas’. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir ‘comendo o mingau pelas beiradas’, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

“Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário ‘comer o pão que o diabo amassou’ para ‘vender o seu peixe’. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

“Há quem pense que escrever é como ‘tirar doce da boca de criança’ e vai com muita sede ao pote. Mas, como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem ‘Carolina de Sá Leitão’ com ‘caçarolinha de assar leitão’.

“Há também aqueles que são ‘arroz de festa’, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (‘piram na batatinha’, ‘viajam na maionese’…). Achando que ‘beleza não põe mesa’, ‘pisam o tomate’, ‘enfiam o pé na jaca’, e, no fim, quem ‘paga o pato’ é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.

“O importante é não ‘cuspir no prato em que se come’, pois quem lê não é ‘tudo farinha do mesmo saco’. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de ‘comer com os olhos’, literalmente.

“Por seu lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro ‘angu de caroço’. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O ‘pepino’ é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana. Afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco…

“A ‘carne é fraca’, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca e, depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.

“Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo ‘quando o caldo entornar’. Puxe a brasa pra sua sardinha, que, no frigir dos ovos, a conversa chega à cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear porque o que não mata engorda.

“Para terminar, uma frase sábia na traseira do caminhão:

“Seja patrão de sua língua para não ser escravo de suas palavras”.